Linhas editoriais mostraram diferentes respostas ao ataque.
Alguns jornais publicaram charges; outros concentraram-se nas vítimas.
"O amor é mais forte que o ódio", diz capa da Charlie
redação em 2011 (Foto: Reprodução/Facebook
Charlie Hebdo)
Muitos jornais europeus republicaram caricaturas do jornal semanal
francês "Charlie Hebdo" para protestar contra o ataque islâmico que
matou jornalistas e policiais em Paris, um atentado considerado um
ataque à liberdade de expressão e à tradição de sátira visual no
continente.
No entanto, a maior parte das primeiras páginas expressou solidariedade
às 12 pessoas mortas no ataque de quarta-feira, publicando os seus
próprios desenhos e editoriais, que diferiram dos trabalhos mais
provocativos do "Charlie Hebdo" sobre o Islã.
As linhas editoriais mostraram as diferenças das respostas das
publicações ao ataque e levantaram indagações sobre se muitos já não
estão se autocensurando devido ao medo de ofender ou, pior, de provocar
uma reação islâmica.
Na Dinamarca, onde o Jyllands Posten publicou caricaturas
ridicularizando o profeta Maomé em 2005, gerando protestos no mundo
muçulmano que resultaram na morte de pelo menos 50 pessoas, quatro
jornais estamparam desenhos do semanal francês.
No entanto, o Jyllands Posten, cujos funcionários recebem proteção
policial desde a controvérsia, decidiu não publicar os desenhos do
"Charlie Hebdo".
Na Suécia, onde o artista Lars Vilks mora sob proteção policial desde
que o seu desenho do profeta Maomé como cachorro levou a ameaças de
morte contra ele, o "Expressen" republicou o último tuíte do Charlie
Hebdo antes do ataque, um desenho debochando do líder do Estado
Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi.
"Para muitos será uma conclusão óbvia não chamar a atenção, abafar e
evitar as emoções fortes”, disse em editorial o periódico dinamarquês
"Berlingske", que publicou caricaturas do "Charlie Hebdo". “Mas não
devemos nos amedrontar, pois estaríamos cedendo a uma ameaça inaceitável
contra a cultura.”
A primeira página do austríaco "Salzburger Nachrichten" trouxe uma
imagem que consistia num espaço preto, uma caneta no canto e a mensagem:
"Como um caricaturista eu tenho sido até agora da opinião de que não há
assunto sobre o qual não se pode desenhar. Tenho que admitir que esse
incidente trágico que ocorreu em Paris ontem me ensinou o contrário.”
Ilustração mais recente de Charb, morto no ataque à
revista Charlie Hebdo (Foto: Reprodução/Twitter)
revista Charlie Hebdo (Foto: Reprodução/Twitter)
A sátira, que costuma testar os limites do que a sociedade aceita em
nome da liberdade de expressão, tem suas raízes na cultura ocidental,
passando pelo francês Voltaire no século 18 e, antes dele, na Grécia
antiga.
A liberdade para criticar a Igreja Católica na França era vista como
uma grande vitória da Revolução Francesa. Contudo, foi o grande avanço
da imprensa no século 19 que tornou a caricatura política uma arma na
batalha pela opinião pública.
Na França, o diário conservador "Le Figaro" imprimiu o seu mastro azul
em preto, trouxe a manchete “Liberdade assassinada”, mas não republicou
os desenhos. O comunista "L'Humanité" publicou a última capa do Charlie
Hebdo.
No Reino Unido, alguns jornais estamparam primeiras páginas do "Charlie
Hebdo", que trazem caricaturas, mas não de forma proeminente, e nenhum
desenho em si foi republicado.
Na Alemanha, os jornais de alcance nacional trouxeram imagens dos
vídeos com os agressores nas primeira páginas, mas os diários de Berlim
publicaram capas do "Charlie Hebdo".
Na Itália, o "Corriere della Sera" dedicou uma página a seis desenhos
do "Charlie Hebdo". O conservador espanhol "La Razón" republicou uma
capa do jornal semanal francês na primeira página e escreveu: “Somos
todos Charlie Hebdo”.
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